Ifood Move 2026: o que o evento mostrou sobre o futuro dos restaurantes e por que donos de negócios deveriam participar da próxima edição

Realizado em São Paulo nos dias 16 e 17 de setembro, evento reuniu 12 mil pessoas e colocou gestão, tecnologia, inteligência artificial, experiência do cliente e novas oportunidades no centro das discussões sobre o futuro da gastronomia

Quem trabalha com restaurante sabe que administrar um negócio de alimentação vai muito além de criar um bom prato.

É preciso entender de operação, equipe, custos, atendimento, marketing, tecnologia, vendas, delivery e, principalmente, comportamento do consumidor.

Foi justamente essa visão mais ampla que marcou o iFood Move 2026, realizado nos dias 16 e 17 de setembro, no São Paulo Expo, em São Paulo.

Em sua terceira edição, o evento reuniu 12 mil participantes, 179 palestrantes, oito palcos e mais de 70 horas de conteúdo, transformando o espaço em um grande ponto de encontro para empresários, gestores, chefs, fornecedores e profissionais ligados ao mercado de alimentação e varejo.

E, para quem olha de fora, pode parecer apenas mais um grande evento corporativo.

Mas, para o dono de um restaurante, a proposta é bem diferente.

O iFood Move não é apenas sobre delivery

Talvez essa seja uma das principais percepções deixadas pelo evento.

Apesar do nome iFood estar diretamente associado ao delivery, o conteúdo apresentado durante o iFood Move mostrou que o mercado está caminhando para uma realidade muito mais ampla.

Restaurantes precisam pensar em experiência, relacionamento, gestão, dados, tecnologia e diferentes canais de venda.

A própria estratégia anunciada pelo iFood reforça essa transformação. A empresa informou que pretende investir R$ 24 bilhões no Brasil entre abril de 2026 e março de 2027, com recursos destinados a restaurantes, novas categorias, tecnologia e soluções que vão além da entrega de comida.

Ou seja: o setor está mudando.

E acompanhar essa mudança apenas quando uma novidade chega ao aplicativo pode significar chegar atrasado.

O que um dono de restaurante encontra no iFood Move?

A programação do evento foi construída em torno de problemas bastante conhecidos por quem vive a rotina de um estabelecimento.

Como vender mais, melhorar o cardápio, equilibrar salão e delivery, treinar uma equipe, transformar o cliente em alguém que volta e utilizar tecnologia sem perder a identidade do negócio?

Essas perguntas apareceram em diferentes momentos da programação.

Entre os temas apresentados estavam cardápio de alta conversão, gestão de equipes, planejamento, logística, experiência do cliente, salão e delivery, empreendedorismo e estratégias para transformar operação em resultado e muito mais.

Isso faz diferença porque o empresário não está simplesmente ouvindo uma palestra sobre gastronomia.

Ele está tendo contato com experiências de outros negócios e pode voltar para o restaurante com ideias que podem ser testadas na própria operação.

Networking: uma parte que não aparece no palco

Outro motivo para colocar o iFood Move no radar é algo que não necessariamente aparece na programação oficial: as pessoas que estão no evento.

Um restaurante pode estar enfrentando um determinado problema há meses e descobrir, em uma conversa de poucos minutos, que outro empresário encontrou uma solução diferente.

Também existe a possibilidade de conhecer fornecedores, empresas de tecnologia, profissionais especializados e outros empreendedores do setor.

O próprio posicionamento do evento inclui a conexão entre profissionais e negócios como parte da experiência. A Associação Nacional de Restaurantes, ao divulgar a edição, destacou justamente a possibilidade de aprendizado, troca, informação e networking para os empreendedores.

Para um empresário, isso pode ser tão interessante quanto assistir às palestras.

E a inteligência artificial?

Se existe um assunto que deve continuar ganhando espaço nos restaurantes, é a inteligência artificial.

No iFood Move 2026, tecnologia e IA estiveram entre os grandes temas do evento.

O investimento anunciado pelo iFood inclui mais de R$ 2 bilhões em tecnologia e inovação, com projetos relacionados à inteligência artificial.

Para o restaurante, a discussão não precisa ser sobre substituir pessoas por tecnologia.

A pergunta mais interessante é outra:

Como usar tecnologia para tomar decisões melhores?

Analisar comportamento dos clientes, entender oportunidades de venda, melhorar comunicação, organizar processos e ganhar produtividade são alguns dos caminhos que tornam a tecnologia relevante para pequenos, médios e grandes negócios.

E esse é justamente o tipo de assunto que merece ser acompanhado de perto por quem pretende continuar competitivo no mercado de alimentação.

Salão e delivery precisam deixar de ser vistos como mundos separados

Outro ponto interessante da programação foi a discussão sobre a relação entre o restaurante físico e o delivery.

Durante muito tempo, alguns estabelecimentos trataram os dois canais como operações completamente diferentes.

Hoje, o consumidor pode conhecer um restaurante pelas redes sociais, pedir pelo aplicativo, visitar o salão, voltar a comprar pelo delivery e recomendar o estabelecimento para outra pessoa.

A jornada é uma só.

Por isso, entender como os diferentes canais podem trabalhar juntos passou a ser uma questão estratégica.

E essa visão apareceu na programação do iFood Move, que trouxe, por exemplo, discussões sobre como trabalhar simultaneamente salão e delivery.

Vale a pena um restaurante investir para participar da próxima edição?

Não existe uma resposta igual para todos os negócios.

Mas existe um ponto importante: o empresário precisa enxergar o ingresso como investimento em conhecimento e relacionamento, e não simplesmente como uma entrada para assistir palestras.

Para quem administra um restaurante, participar de um evento desse porte pode fazer sentido por pelo menos cinco motivos.

1. Sair da rotina da operação

A rotina de um restaurante é intensa.

Entre compras, funcionários, fornecedores, clientes, produção, financeiro e delivery, muitas vezes o empresário passa tanto tempo resolvendo problemas que não consegue parar para pensar no próprio negócio.

Um evento como o iFood Move cria justamente esse espaço.

É um momento para sair da operação e olhar para o restaurante de uma perspectiva diferente.

2. Descobrir soluções antes de precisar delas

Tecnologias, ferramentas e novos modelos de negócio são apresentados justamente para quem está vivendo os desafios do setor.

Mesmo que determinada solução não seja utilizada imediatamente, conhecer o que existe pode ajudar o empresário a tomar decisões futuras.

3. Encontrar outros empresários

Trocar experiências com quem enfrenta problemas semelhantes pode ser extremamente valioso.

O empresário pode descobrir novas formas de organizar uma equipe, divulgar um produto, trabalhar o cardápio ou equilibrar diferentes canais de venda.

4. Entender para onde o mercado está caminhando

Independentemente de o restaurante utilizar todas essas soluções, acompanhar os movimentos de uma das principais empresas do ecossistema de alimentação digital ajuda o empresário a entender o cenário em que seu negócio está inserido.

5. Voltar com ideias para colocar em prática

Talvez esse seja o principal ponto. Não adianta voltar de um evento cheio de anotações e não mudar absolutamente nada.

O verdadeiro retorno de uma experiência como essa está em transformar uma ideia em ação.

Pode ser uma mudança no cardápio, uma nova estratégia de atendimento, uma ferramenta de gestão, uma maneira diferente de trabalhar o delivery ou simplesmente uma nova forma de enxergar o próprio negócio.

Para quem pretende ir ao iFood Move 2027

A próxima edição já tem data marcada.

Ifood Move 2027 acontecerá nos dias 1º e 2 de setembro, no Distrito Anhembi, em São Paulo. A confirmação foi divulgada pelo próprio iFood após o encerramento da edição de 2026.

Para quem é dono de restaurante, uma boa estratégia é não esperar a abertura do evento para começar a pensar na participação.

Portanto, vale acompanhar a programação, identificar os assuntos mais importantes para o próprio negócio e, principalmente, ir com perguntas.

Porque um evento desse tamanho pode oferecer dezenas de palestras e centenas de ideias.

Mas o que realmente importa é descobrir quais delas podem fazer diferença no seu restaurante.

O que fica do iFood Move 2026?

O principal aprendizado do evento talvez esteja justamente na mudança de perspectiva.

O futuro dos restaurantes não será definido apenas pela cozinha.

Será construído pela combinação entre comida, experiência, pessoas, tecnologia, gestão, dados e relacionamento com o consumidor.

E, em um mercado cada vez mais competitivo, acompanhar essas transformações deixou de ser apenas uma questão de curiosidade.

Para muitos empresários, pode ser uma maneira de se preparar para o que vem pela frente.

O iFood Move 2026 terminou, mas as discussões levantadas durante os dois dias deixam uma pergunta para os donos de restaurantes:

O seu negócio está preparado para a próxima fase do mercado de alimentação?

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